Faz um tempo já que ando fascinada por esse mundo mágico dos vtubers. Ficava imaginando como seria dar vida a um personagem que eu mesma desenhei. Mas como a rotina era corrida demais para aprender, guardei esse projeto até finalmente poder me dedicar a ele.
Esse texto não é um tutorial, pelo menos não ainda. É apenas meu relato de como foi a experiência de começar a aprender do zero, desde a arte até a animação. Mas, quem sabe, né? Talvez te ajude, caso esteja considerando aprender também.
O que é um vtuber?
O termo vem de “virtual youtuber”. É uma pessoa que cria conteúdo audiovisual por meio de um personagem animado. Podem interpretar um papel com toda uma história por trás do personagem ou apenas adotar o visual como se fosse um avatar.
Ficaram populares primeiro no Japão e a onda foi se espalhando até chegar no ocidente. Alguns nomes famosos são Gawr Gura, ironmouse e Inugami Korone.

Conceito
Em um primeiro momento, não pensei muito no design da minha personagem. Como meu objetivo era aprender a animar o modelo, apenas a desenhei parecida comigo e vestindo a roupa mais simples possível.
Feita a arte, baixei uma versão trial de 42 dias do Live2D Cubism e segui a lista de tutoriais que o próprio software oferece em seu site oficial. Para manter tudo organizado, criei um documento com várias anotações sobre o processo.
Para ter certeza de que o trial daria conta do meu ritmo de aprendizado, assisti vários tutoriais antes de dar início à contagem. Tudo parecia tão complexo que calculei um mês inteiro para dominar o básico. Para minha surpresa, consegui finalizar o modelo em apenas uma semana!
É claro que, cada pessoa tem uma velocidade diferente. Sem um trabalho fixo, usei todo o tempo disponível que tinha para me focar nesse projeto. Naturalmente, alguém mais ocupado que eu demoraria um pouco mais.
Arte
Para o personagem abrir e fechar a boca, piscar os olhos, mover o cabelo quando balança a cabeça, etc., é preciso separar toda a arte em camadas. Exatamente! Trocentas camadas de arte para cada pedacinho do personagem.

Rigging
Rigging é como se chama o processo de preparar um personagem para animação. Não é extremamente difícil, mas dá um baita trabalho!
Comecei pelos olhos com o modelo do próprio tutorial. Para quem não trabalha com arte e deseja apenas fazer o rigging, o site do Live2D disponibiliza todo o material necessário.

Assim que me familiarizei com a interface, importei o modelo que eu mesma criei. Importante lembrar que o Live2D só importa arquivos do Photoshop, então se você usa outro software de arte, é bom checar se dá para exportar no formato psd.
Fazer o rigging do rosto foi até que bem rápido, em dois dias já tinha o modelo com os olhos, sobrancelhas e boca se mexendo. A dificuldade começou ao virar a cabeça para os lados. Tive que refazer algumas vezes e procurei dicas na internet de como fazer ficar bom!

A animação no Live2D é feita a partir da distorção das camadas de arte. É fácil para mim desenhar um rosto olhando para qualquer direção, mas distorcer uma arte que já existe foi um grande desafio!
Consegui resolver graças a referências de outros artistas! Também assisti com muita atenção alguns vídeos do processo em tempo real. Essa foi, provavelmente, a parte mais demorada do aprendizado.
Outra coisa que me atrapalhou foi o nariz. Como uma coisa tão pequena se tornou um problema? Quando montei a arte, pensei que não teria necessidade separá-lo da camada do rosto, afinal é só um pontinho, né? Pois é, foi bem complicado acertar a posição dele sem deformar todo o resto.
Enfim, após ajustar os ângulos da cabeça, fiz o mesmo para o restante do corpo e parti para o próximo desafio. Adicionar física.
Até aqui, o modelo consegue falar, piscar e se mexer para todas as direções, mas com o cabelo ainda duro e sem vida. Para ele balançar de acordo com os movimentos da cabeça, é preciso criar novos parâmetros de movimento.
As primeiras tentativas não deram muito certo. Na verdade, eu não estava nem entendendo a lógica do negócio. Então voltei aos tutoriais e fui tentando até dar certo. Foi menos frustrante que acertar os ângulos da cabeça, mas tive que ver muitos seios balançado para conseguir!
Tracking
Com a arte e o rigging prontos, importei o modelo para o Vtube Studio, um software que faz o tracking das expressões faciais. Há outras opções, como Prpr Live e FaceRig. Confesso que não pesquisei muito para escolher, apenas fui pela opção mais popular.
A interface do Vtube Studio é bem simples e intuitiva. Só precisei ajustar algumas configurações antes de entrar ao vivo na Twitch com meu novo avatar.
Comecei a live toda feliz! Mostrei meu modelo, comentei o processo, até joguei Zelda com ele! Tudo parecia ter corrido super bem! Mas ao conferir o VOD, notei que o tracking da boca estava meio estranho.
Tentei arrumar dentro do Vtube Studio, o que melhorou um pouco, mas não totalmente. Ainda não sei muito bem como resolver, talvez precise voltar alguns passos na arte ou no rigging. Ou, talvez, eu precise exagerar os movimentos do rosto enquanto falo.

Próximos passos
Todo esse processo que comentei aqui no blog foi só o primeiro passo. Ainda falta muito o que aprender e aprimorar.
A primeira impressão que tive ao ver o VOD da live é que minha voz não combina com o avatar. Será que é porque não estou acostumada a ver minha voz saindo de uma personagem animada? Ou há muito mais sobre ser um vtuber que eu não sei?
Provavelmente, o problema do tracking é um misto de várias coisas que preciso melhorar, mas começo a pensar que minha atitude por trás da câmera conta muito para a qualidade do modelo.