Author: Vyk Raposa

  • Como criei meu primeiro modelo vtuber

    Como criei meu primeiro modelo vtuber

    Faz um tempo já que ando fascinada por esse mundo mágico dos vtubers. Ficava imaginando como seria dar vida a um personagem que eu mesma desenhei. Mas como a rotina era corrida demais para aprender, guardei esse projeto até finalmente poder me dedicar a ele.

    Esse texto não é um tutorial, pelo menos não ainda. É apenas meu relato de como foi a experiência de começar a aprender do zero, desde a arte até a animação. Mas, quem sabe, né? Talvez te ajude, caso esteja considerando aprender também.

    O que é um vtuber?

    O termo vem de “virtual youtuber”. É uma pessoa que cria conteúdo audiovisual por meio de um personagem animado. Podem interpretar um papel com toda uma história por trás do personagem ou apenas adotar o visual como se fosse um avatar.

    Ficaram populares primeiro no Japão e a onda foi se espalhando até chegar no ocidente. Alguns nomes famosos são Gawr Gura, ironmouse e Inugami Korone.

    Imagem cortada em três partes mostrando algumas vtubers famosas na internet. Da esquerda para a direita, estão Gawr Gura, ironmouse e Inugami Korone.

    Conceito

    Em um primeiro momento, não pensei muito no design da minha personagem. Como meu objetivo era aprender a animar o modelo, apenas a desenhei parecida comigo e vestindo a roupa mais simples possível.

    Feita a arte, baixei uma versão trial de 42 dias do Live2D Cubism e segui a lista de tutoriais que o próprio software oferece em seu site oficial. Para manter tudo organizado, criei um documento com várias anotações sobre o processo.

    Para ter certeza de que o trial daria conta do meu ritmo de aprendizado, assisti vários tutoriais antes de dar início à contagem. Tudo parecia tão complexo que calculei um mês inteiro para dominar o básico. Para minha surpresa, consegui finalizar o modelo em apenas uma semana!

    É claro que, cada pessoa tem uma velocidade diferente. Sem um trabalho fixo, usei todo o tempo disponível que tinha para me focar nesse projeto. Naturalmente, alguém mais ocupado que eu demoraria um pouco mais.

    Arte

    Para o personagem abrir e fechar a boca, piscar os olhos, mover o cabelo quando balança a cabeça, etc., é preciso separar toda a arte em camadas. Exatamente! Trocentas camadas de arte para cada pedacinho do personagem.

    Janela do Photoshop com a arte do modelo aberta mostrando a separação das camadas que compõem o cabelo e partes do braço direito da personagem.

    Rigging

    Rigging é como se chama o processo de preparar um personagem para animação. Não é extremamente difícil, mas dá um baita trabalho!

    Comecei pelos olhos com o modelo do próprio tutorial. Para quem não trabalha com arte e deseja apenas fazer o rigging, o site do Live2D disponibiliza todo o material necessário.

    Janela do Live2D aberta com a personagem que o próprio software disponibiliza em seu site oficial para seguir os tutoriais.

    Assim que me familiarizei com a interface, importei o modelo que eu mesma criei. Importante lembrar que o Live2D só importa arquivos do Photoshop, então se você usa outro software de arte, é bom checar se dá para exportar no formato psd.

    Fazer o rigging do rosto foi até que bem rápido, em dois dias já tinha o modelo com os olhos, sobrancelhas e boca se mexendo. A dificuldade começou ao virar a cabeça para os lados. Tive que refazer algumas vezes e procurei dicas na internet de como fazer ficar bom!

    Janela do Live2D aberta com o primeiro modelo que criei para estudar.

    A animação no Live2D é feita a partir da distorção das camadas de arte. É fácil para mim desenhar um rosto olhando para qualquer direção, mas distorcer uma arte que já existe foi um grande desafio!

    Consegui resolver graças a referências de outros artistas! Também assisti com muita atenção alguns vídeos do processo em tempo real. Essa foi, provavelmente, a parte mais demorada do aprendizado.

    Outra coisa que me atrapalhou foi o nariz. Como uma coisa tão pequena se tornou um problema? Quando montei a arte, pensei que não teria necessidade separá-lo da camada do rosto, afinal é só um pontinho, né? Pois é, foi bem complicado acertar a posição dele sem deformar todo o resto.

    Enfim, após ajustar os ângulos da cabeça, fiz o mesmo para o restante do corpo e parti para o próximo desafio. Adicionar física.

    Até aqui, o modelo consegue falar, piscar e se mexer para todas as direções, mas com o cabelo ainda duro e sem vida. Para ele balançar de acordo com os movimentos da cabeça, é preciso criar novos parâmetros de movimento.

    As primeiras tentativas não deram muito certo. Na verdade, eu não estava nem entendendo a lógica do negócio. Então voltei aos tutoriais e fui tentando até dar certo. Foi menos frustrante que acertar os ângulos da cabeça, mas tive que ver muitos seios balançado para conseguir!

    Tracking

    Com a arte e o rigging prontos, importei o modelo para o Vtube Studio, um software que faz o tracking das expressões faciais. Há outras opções, como Prpr Live e FaceRig. Confesso que não pesquisei muito para escolher, apenas fui pela opção mais popular.

    A interface do Vtube Studio é bem simples e intuitiva. Só precisei ajustar algumas configurações antes de entrar ao vivo na Twitch com meu novo avatar.

    Comecei a live toda feliz! Mostrei meu modelo, comentei o processo, até joguei Zelda com ele! Tudo parecia ter corrido super bem! Mas ao conferir o VOD, notei que o tracking da boca estava meio estranho.

    Tentei arrumar dentro do Vtube Studio, o que melhorou um pouco, mas não totalmente. Ainda não sei muito bem como resolver, talvez precise voltar alguns passos na arte ou no rigging. Ou, talvez, eu precise exagerar os movimentos do rosto enquanto falo.

    Screenshot da live que fiz usando o modelo que fiz pela primeira vez.

    Próximos passos

    Todo esse processo que comentei aqui no blog foi só o primeiro passo. Ainda falta muito o que aprender e aprimorar.

    A primeira impressão que tive ao ver o VOD da live é que minha voz não combina com o avatar. Será que é porque não estou acostumada a ver minha voz saindo de uma personagem animada? Ou há muito mais sobre ser um vtuber que eu não sei?

    Provavelmente, o problema do tracking é um misto de várias coisas que preciso melhorar, mas começo a pensar que minha atitude por trás da câmera conta muito para a qualidade do modelo.

  • Gijinka do Zoroark

    Gijinka do Zoroark

    Lembro de quando era criança e curtia tanto Pokémon que desenhava os monstrinhos em todo lugar sempre que tinha lápis e papel nas mãos. Acredito que o desenho animado tenha sido a porta de entrada para muitos adultos que curtem os jogos hoje em dia.

    Sempre gostei muito do anime e colecionava tudo o que minha humilde mesada me permitia, mas como não era muito chegada em jogos na infância, só fui jogar alguma coisa da franquia principal “depois de velha”. O primeiro foi Pokémon X e Y, depois Sun e Moon.

    Pokémon Day

    Dia 27 de fevereiro de 1996 foi o lançamento do Pokémon Red e Green no Japão. E para comemorar, resolvi desenhar meu pokémon favorito, o Zoroark!

    Não sei se todo mundo sabe, mas ao colocar essa raposa como primeira opção em batalha, ela assume a aparência do último pokémon da fila. Assim eu me divertia pregando peças nas pessoas, tipo um pokémon de água cuspindo fogo! haha 😂

    Então, após ter dado uma forma humana ao Zoroark, fiquei inspirada a fazer o mesmo pela versão de Hisui.

    A descrição na pokédex diz que ele ataca com uma energia tão intensa que acaba dilacerando o seu próprio corpo! Assustador, né? Essa forma me lembra aqueles fantasmas das histórias de terror japonesas, bem mais fantasmagórica que a original! 😨

    O que é Gijinka?

    Gijinka, em japonês (擬人化), significa “antropomorfização”, a atribuição de características humanas a tudo o que não é, como animais, plantas, objetos, etc. Se pesquisar o termo na internet verá um monte de personagens inspirados em praticamente qualquer coisa.

    Olhando minha galeria de desenhos antigos, resgatei umas sereias que desenhei em 2020. Se souber no que me baseei para desenhar cada uma delas, significa que fiz um bom trabalho, certo? 😚

    Aprimorando o processo criativo

    Andei estudando e explorando algumas técnicas de vetorização nos últimos tempos, como o uso de efeitos e degradês. Também juntei coragem para gravar o processo em vídeo e postar no YouTube.

    No começo achei que gravar a tela do computador enquanto trabalho me atrapalharia, e realmente rola uma pressão no começo, mas logo fui me acostumando. Para minha surpresa, o resultado foi muito melhor do que imaginava!

    Primeiro, melhora a concentração, já que não tem como fazer outra coisa senão trabalhar, né? Depois, observar o próprio processo ajuda a identificar alguns vícios e dificuldades que tenho na hora de vetorizar, como escolher cores e adicionar sombras, por exemplo.

    Para cobrir essas pequenas falhas, comecei a dedicar mais tempo nas etapas iniciais. Se antes eu apenas desenhava para resolver todo o resto na hora de finalizar, agora rascunho não só o desenho, mas também as cores e sombras antes de passar para o Illustrator.

    Sobre o canal, os vídeos são bem simples por enquanto, apenas timelapse com música no fundo, mas quem sabe em breve eu produza um conteúdo mais dedicado. Um passo de cada vez. 😉

  • Simples, mas intenso

    Simples, mas intenso

    Sabe aquela aba da Netflix de “recomendados para você”? Já fazia um tempo desde que Amor entre Fada e Demônio apareceu por lá. A princípio não liguei muito porque o trailer me pareceu bobo, mas a insistência foi tanta – e o ator é tão bonito também – que resolvi dar uma chance. E olha só! Amei a série! ♥

    Sobre o drama

    Love between Fairy and Devil ou, como ficou aqui em português, Amor entre Fada e Demônio, é uma série de fantasia chinesa com um romance fofo, muitas lágrimas e personagens super carismáticos.

    Sempre gostei muito de xianxia! Sabe essas histórias de guerreiros chineses com cabelo compridão? Antigamente eu vivia nas locadoras caçando filmes do gênero. Agora com tantas opções de streaming, mal consigo acreditar que tenho um catálogo enorme para assistir.

    Por outro lado, essas histórias costumam ser bem complexas, cheias de mistérios e reviravoltas. Mas Amor entre Fada e Demônio é até que bem simples! Em síntese, é aquela clássica história da protagonista boba, ingênua e pura que cura o coração congelado do “vilão”.

    Sobre o processo

    Primeiramente, usei um dos posters do drama como inspiração para desenhar Dongfang Qingcang, o “demônio” do título.

    Rascunhar e desenhar são as etapas do processo que mais curto, mas há o desafio de manter a consistência dos traços como, por exemplo, saber quando fazer mais fino ou mais grosso. Como resultado, acho que ficou bem homogêneo, talvez uma variação maior na espessura dos traços desse um ar mais orgânico, mas compensei depois nas cores.

    Arte em vetor pode ser simples ou complexa, depende do resultado que se deseja alcançar. No meu caso, não sabia muito bem para onde queria ir, por isso acabei me perdendo no meio de tantas possibilidades. Nesse sentido, acrescentei várias cores, super detalhei o sombreamento, mas não estava gostando do resultado.

    Ou seja, o processo tinha se tornado tão frustrante que pensei em desistir. Ainda assim, em algum momento comecei a apagar algumas camadas de vetor e percebi que a imagem havia se tornado mais agradável. É como dizem, né? Menos é mais.

    Enfim, acredito que ainda tenho muito espaço para melhorar, mas por enquanto estou feliz por ter insistido nesse mini Dongfang Qingcang.

  • Em busca da própria voz

    Em busca da própria voz

    O ano mal começou e janeiro já se foi! Como o tempo passa rápido, né? Tinha prometido começar esse blog no final do ano passado, adiei para começar em 2023 a todo vapor e depois… Sei lá, estava me sentindo tão cansada, mas tão cansada, que achei melhor tirar umas férias.

    Um mês inteiro de férias. Há quanto tempo não fazia isso? Faz seis anos desde que comecei a trabalhar na produção de conteúdo com a equipe do Senpai TV e Mais Geek. Aí depois veio a Loading, onde me tornei apresentadora e, por fim, o Geek Here.

    Apesar de amar todo o trabalho que fiz durante esse tempo, sinto que vivi mais anos do que realmente se passaram. Meus sonhos e objetivos se perderam no caminho e eu já não sabia mais por quê estava fazendo o que estava fazendo.

    Então percebi o quão importante é reservar um tempo para descansar. É como se uma névoa tivesse se dissipado da minha mente e agora posso ver com mais clareza o que queria lá atrás e o que desejo para o futuro.

    Primeiro, levar a vida de maneira mais leve e divertida. Segundo, recuperar minhas habilidades de desenho. E, por último, continuar produzindo conteúdo sobre cultura pop. Esse blog nasceu para documentar essa minha nova jornada e manter meus objetivos à vista.